Foi divulgado nesta semana um ensaio fotográfico inédito de Adam Lambert para a revista Wonderland Magazine, acompanhado de uma entrevista exclusiva onde o cantor de 36 anos relembrou um pouco sobre o início de sua carreira, sobre como teve que enfrentar o até então padrão conservador da indústria musical, além de comentar sobre sua brilhante trajetória à frente dos vocais do Queen.

   Leia agora a entrevista completa traduzida e adaptada por nossa equipe:

Adam Lambert – O show tem que continuar

É 2015, meu aniversário de 21 anos e estou de pé na O2 arena em Londres, prestes a experimentar o que irá se tornar um dos meus shows favoritos de todos os tempos. Cerveja na mão, isqueiro pronto para acenar no ar. As luzes se apagam e dentro de segundos toda a multidão está cantando junto cada palavra.

A banda que estou vendo é Queen + Adam Lambert. A colaboração entre as lendas do rock britânico e o cantor americano, colaboração que começou primeiro em 2009 quando Adam de 26 anos, surgiu no American Idol. “Eu audicionei para o American Idol cerca de nove anos atrás com ‘Bohemian Rhapsody’ e eu descobri que eles [Brian May e Roger Taylor] viram a performance online”. Ele me diz ao telefone de LA. “Conforme eu progredia no programa, eles estavam me acompanhando e então eles estavam na final, foi assim que nós nos apresentamos juntos pela primeira vez ao vivo. Foi como um sentimento de – eu não sei se percebi na hora – mas havia um conforto e conexão instantânea com eles.”

Na segunda colocação do American Idol (nota: ele foi roubado), Adam lançou seu álbum de estreia For Your Entertainment no mesmo ano e manteve contato com Brian e Roger. Dois anos mais tarde, eles pediram à ele para juntarem-se em uma apresentação especial do Queen com um medley no MTV EMA 2011, que então se transformou em um punhado de shows no Reino Unido e Europa e depois o resto “uma bola de neve em turnês cada vez maiores” ao longo dos próximos anos, ao mesmo tempo equilibrando sua carreira solo por toda parte. E você pensou que tinha uma semana agitada, é?

“No começo do trabalho com o Queen eu estava completamente intimidado pela ideia”. Adam ri. “Eu estava tipo ‘O que? Vocês estão falando sério? Vocês realmente querem que eu faça isso?’. Eu estava intimidado pelo o que os fãs fossem falar e provavelmente esperar de mim. Estar na sombra de Freddie Mercury é uma espécie que fode sua mente, entende? Mas, ao longo dos anos, eu me senti confortável com o show e o set de músicas. Eu fui de intimidado e enlouquecendo para a sensação de que é uma honra continuar carregando a tocha para a banda e por um homem que estava tão à frente do seu tempo e que foi tirado de nós muito cedo. Essas músicas que eles escreveram são atemporais e eu sinto que é um prazer trazer isso aos fãs em todos os lugares.”

O papel que Adam assumiu como vocalista para o Queen não foi o único que ele assumiu literalmente. Embora ele tenha uma das vozes mais incríveis do pop e um range que deixaria Beyoncé com ciúmes, ele está cantando as músicas que o vocalista mais talentoso que já passou pela terra já performou. “Eu sabia que poderia ser confuso para o público, e até mesmo para mim como cantor, porque eu não quero imitar ao Freddie mas ao mesmo tempo eu não posso ficar muito longe das gravações originais, porque eu me apaixonei por elas assim como os fãs”. Ele explica. “Eu estava tentando me encontrar ‘okay, talvez, isso não é o que ele fez com sua voz, mas é a mesma intenção em um lugar emocional ou um lugar de contar histórias e vamos olhar para isso que estou fazendo no palco.’ Foi um estudo muito interessante”.

“Eu acho que tive uma recepção muito positiva”. Ele continua. “Sou apenas honrado por estar lá e como eu disse várias vezes, eu sou apenas um fã como as pessoas na platéia! Então, tem sido assim, ‘hey, só vamos aproveitar essas músicas e vamos celebrar Brian May e Roger Taylor que fazem parte de uma das melhores bandas de rock de todos os tempos, fazendo aquilo que eles nasceram para fazer!”

E você deveria celebrar porque ver uma apresentação de Queen + Adam é uma experiência como nenhuma outra. Tornando-se totalmente seu, Adam é um artista impecável que é ele mesmo sem remorso. Essa também é uma característica que ele mantém fora do palco.

“Eu sou gay e fora do armário – completamente – desde que eu tinha 18 anos e eu não estava no armário no programa [American Idol] ou em nenhum outro lugar”. Adam me diz. “Não foi no final do programa que eu percebi que todos queriam que eu assumisse, mas eu já era assumido! Eu sempre fui assumido. Nunca foi falado porque não tinha relação com o que eu estava fazendo no palco. Não é como se fosse uma grande surpresa com minhas roupas, meus looks ou minhas escolhas de música, entende?” Ele ri. “Eu sempre penso comigo mesmo que se eu estivesse em um relacionamento sério naquele momento e meu parceiro estivesse na platéia, então provavelmente isso viria à tona. Ou se Ryan Seacrest tivesse me perguntado sobre meu homem dos sonhos, eu provavelmente teria respondido sua questão, mas isso nunca aconteceu! No momento em que o programa terminou, eu tive todas essas entrevistas a dispor e eu fui um livro aberto, mas isso foi interessante porque as pessoas diziam ‘oh, mas você nunca se assumiu’ e eu estava como ‘mas eu era assumido, estava apenas aprendendo a responsabilidade de uma celebridade nesse ponto e ainda não tinha envolvido minha cabeça em torno da ideia de que, se não fosse declarado publicamente, não poderia ajudar aos outros!”

Adam foi o primeiro artista assumido a ter um álbum número um nas paradas da Billboard. Eu pergunto se ele já presenciou alguma homofobia na indústria e ele faz uma pausa. “Eu acho que definitivamente havia mais de um elemento nos negócios [em 2009], mas eu não achei que as pessoas que eu estava lidando eram na verdade homofóbicas, mas eu definitivamente penso que eles estavam um pouco preocupados sobre ‘como vamos vender esse artista para as massas?’ Eu conheci muitas pessoas incríveis, mas eles estavam concentrados com ‘há um público aqui e se tornará um público confortável com isso?’ e eu acho que houve muita tentativa e muito esforço, porque naquele tempo não tinha nenhum outro artista pop gay na rádio mainstream. Não foi como se alguém tivesse algum plano para isso, então foi definitivamente interessante. Havia provavelmente um par de casos onde fiz coisas que afetou a viabilidade comercial, mas eu estava fazendo isso por razões pessoais ou porque eu queria provar um ponto e eu aguento tudo o que eu fiz”; em 2010, Adam sem vergonha beijou seu baixista durante a apresentação no AMAs.

“Foi muito de adivinhação e isso foi assustador porque eu estava brincando com fogo”. Ele continua a dizer. “Posso explorar esse tópico? Posso cantar sobre um cara em uma música? Posso exibir sexualidade durante essa apresentação? Muitas dessas coisas eram tabu e tiveram alguma repercussão. Foi interessante. Mas agora, nove anos depois e estou vendo diferentes artistas pop surgir que são tão orgulhosos sobre sua sexualidade e isso não parece mais ser grande coisa! Nós estamos movendo para outro lugar, onde é como sempre deveria ter sido.”

Nós falamos sobre alguns dos nossos cantores favoritos assumidos e Adam mencionou Sam Smith, Olly Alexander do Years & Years, Troye Sivan, Hayley Kiyoko como parte da nova onda de estrelas pop abrindo caminho para falar sobre sua sexualidade e questões LGBTQ. “Eu acho que é a geração mais nova chegando e com a mente aberta”. Ele me diz. “Eu acho que a indústria musical também se estruturou de forma diferente. Acho que há mais poder sendo devolvido para o público, então nós não temos esses homens de negócios nervosos preocupados com tudo. Nós podemos apenas colocar música no Spotify, Apple Music ou qualquer plataforma e deixar o público escolher por si mesmo qual é mais poderosa. Há muito mais liberdade e mobilidade. Às vezes sinto que eu estou sentado aqui como ‘okay, agora é diferente do que era no começo’ então eu me encontro ao longo dos últimos anos tendo que reciclar como eu vejo a minha carreira, a indústria e eu fico como ‘oh, eu posso levar isso de forma diferente, eu posso tentar isso agora porque as pessoas pensam diferente.’

Agora de volta trabalhando em sua nova música – “Eu acho que os fãs têm esperado o suficiente, e eu também!” – Adam está retornando com música nova que, esperamos, serão lançadas ainda neste ano! Trabalhando nisso enquanto está em turnês com o Queen, suas sessões de composição fazem-o desenhar influências do pop clássico, rock, soul, disco e funk para criar, o que ele descreve como, um álbum de som “atemporal”. “Eu realmente tenho tentado explorar o que eu quero que o som e o assunto sejam”. Ele explica. “Eu quero que seja autêntico, real e algo que sinta natural para mim. Porque é uma indústria bastante competitiva, é muito fácil se perder com o que os produtores e compositores tentando ser como ‘essa é a tendência e esse é o som do momento’ e tudo isso é muito legal, mas faz você se perder no jogo e você perde o coração no que está fazendo. Então, eu tenho realmente focado em tentar permanecer na minha própria verdade em tudo e tem sido muito bom porque agora sinto que tudo está vindo junto. As coisas estão muito boas. Eu acho que esse ano será realmente excitante”. E não podemos deixar de concordar.

Fotos – Paley Fairman

Editores Fashion – Mar Peidro & Leah Adicoff

Texto – Elly Watson

Cabelo – James McMahon

Maquiagem – Andrea Gomis

Assistente de fotografia – Gilles O’kane

Tradução & Adaptação: Equipe Glamily
Fonte: Wonderland Magazine