“Eu acho que essa conversa de que eu julgarei [o American Idol] acontece todo ano desde que eu sai do programa”, ri o segundo colocado da oitava temporada, Adam Lambert, quando é perguntado sobre rumores recentes de que ele irá se juntar a sua colega Katy Perry atrás da mesa dos juízes do reboot do Idol na ABC. “Eu não sei de onde essa conversa vem! Eu não acho que eu serei juiz no American Idol. Mas eu sempre fico lisonjeado com a especulação”.

Lambert é sempre grato por sua experiência no Idol. (“Eu devo o mundo à esse programa”, ele diz), mas o homem mal tem tempo de se comprometer a uma aparição normal na televisão por enquanto. Além da sua turnê internacional como frontman do Queen – onde ele preenche o incrível lugar do Freddie Mercury e ganha fãs em todas as cidades – ele acabou de lançar sua nova single solo, a nada sutil e nada apologética “Two Fux”.

Co-escrita por Trey Campbell, Big Taste e os amigos de longa data do Lambert Ferras e Sarah Hudsun, a deleitosa valsa cheia de atitude rock’n’roll casa com o novo cabelo vermelho escarlate do cantor em seu estilo atrevido, glammy e ocasionalmente super espalhafatoso. É difícil de imaginar o Lambert sendo mais confiante do que já é, mas em “Two Fux”ele parece quase super-humano. E ele parece extremamente confortável em seu (extravagantemente tatuado) corpo. Aos 35 anos, depois de oito estando nos olhos de um público que muitas vezes não perdoa e cinco anos se mantendo ao lado do Brian May e do Roger Taylor, Lambert foi de ídolo para ícone – e ele cabe tão bem nesse papel quando aquelas, bem, calças skin apertadas e vermelha que ele usa no palco com o Queen todas as noites.

Na véspera do lançamento de “Two Fux, a Yahoo Music conversou com o Lambert para falar sobre a mensagem de pouca preocupação e muita confiança por detrás da música, seus sentimentos sobre ser um modelo da comunidade LGBTQ, o assustador clima político atual, Prince, George Michael, e como o mundo mudou desde aquela notória noite do American Music Awards de 2009. Namaste bem aqui e leia o que ele tem a dizer:

Então, o título e mensagem da música não são exatamente sutis. O que inspirou isso?

Como alguém que é deixado de lado, eu sempre recebi uma certa “olhada de canto” de algumas pessoas. Eu já estou acostumado com isso agora. Isso pode te afetar de certa forma – eu definitivamente tive meus momentos, desde estando no holofote, de ouvir alguma coisa e deixar isso me atrapalhar. Mas ultimamente eu estou num lugar onde eu me sinto muito mais autoconfiante, onde eu sei exatamente quem eu sou – e eu sei o que eu não sou. Eu acho que com o meu último projeto [The Original High], era sobre a angústia de tentar encontrar a sensação original, ir atrás e desejar o inalcançável – o que eu acho que quero. Eu me encontro num capítulo da minha vida que digo: “Quer saber? Eu sei quem eu sou, e eu estou bem com isso. E se alguém não gosta disso, eles podem se f***” (risos).

Você diz que você costumava ser mais autoconfiante e deixava as coisas te atrapalharem. Você pode elaborar mais isso?

Eu acho que eu era mais um “agradador” por um tempo. Eu perdi muito nisso. Quero dizer, como um performer, eu vou sempre ter um pouco disso, mas não estou mais tão preocupado com opiniões negativas agora. Eu só quero me fazer. É só um sentimento de tipo: “Nãão, estou bem. Namaste bem aqui”. Eu acho que teve alguns momentos no passado em que eu me senti inseguro se eu estava realmente me conectando com as pessoas, mas vendo tantos movimentos decolando agora, com essa geração que está vindo agora – as conversas que estão acontecendo sobre gênero, gender-fluid, masculinidade versus feminilidade, visibilidade trans. Tem uma atenção tão incrível agora, e eu estou muito, muito inspirado por isso. Mesmo que o mundo esteja num ponto muito arriscado, eu sinto que esse movimento está acontecendo, para ajudar as pessoas a se entenderem e se aceitarem, e está me inspirando. Isso me dá a esperança de fazer o que eu quero e falar o que eu penso.

É meio difícil de acreditar que só há 8 anos atrás, quando você estava no American Idol, o fato que você usava delineador era literalmente notícia de primeira página. Tipo, aquilo era realmente chocante para as pessoas. Muito mudou desde então.

É literalmente um panorama totalmente diferente do que era há oito anos. Ninguém sabia se eu ser abertamente gay iria “funcionar” – o que era muito engraçado para mim, porque eu era tipo, “bem, eu não tenho muita escolha, isso é o que eu sou!”. Mas esse era o tipo de coisa para que a indústria erguia uma sobrancelha. Tipo eu beijando um cara na p**** do AMAs em 2009 que foi tipo, um escândalo, e eu não acho que seria agora.

Você realmente quebrou a internet aquela noite.

As pessoas simplesmente não sabiam o que fazer! Eu fui arruinado do Good Morning America no dia seguinte, e eles censuraram o beijo quando fui entrevistado sobre isso – mesmo que pouco antes eles estivessem mostrando a Madonna e a Britney se beijando. Tipo, hein? Os paradigmas estavam se colidindo! Eu só acho que não seria assim agora. Ninguém se importaria.

Você acha que o seu sucesso tem uma parte em empurrar o movimento de aceitação LGBTQ para frente?

Bem, eu acho que eu sou uma das muitas, muitas, muitas peças. Sou só uma parte do quebra-cabeça. Eu direi que eu converso com artistas jovens e encontro fãs e recebo mensagens nas redes sociais, e eu recebo muitos elogios realmente amáveis. Eu conversei com um jovem artista queer de hip-hop em ascensão há algumas semanas. Estávamos conversando online sobre ser gay na indústria, e ele me disse umas coisas muito legais. Ele disse: “Eu era uma criança quando o Idol estava passando, e eu nunca tinha visto ninguém como você na TV – que era claramente gay e que estava sendo ovacionado pelo que estava fazendo, e não sendo caçoado. Você me fez sentir que ser gay não ia me impedir de ser bem-sucedido”. Então se for esse o caso para outras pessoas, então eu estou muito grato que eu os inspirei.

Que inspiração você quer que as pessoas tenham de “Two Fux”?

Eu estava tipo “merda, quero agitar o clima um pouco”. O pop pode ser muito sombrio ultimamente – até o meu pop, do meu último álbum, foi um pouco sombrio – e eu acho que o mundo está sombrio agora. Então eu pensei: “Por que não fazer as pessoas sorrirem um pouco? “. Eu definitivamente senti que o espírito atual do nosso país é interessante. Tem uma certa rebelião que eu estou sentindo. As coisas estão tensas, e há muita preocupação e conflito no nosso país: nós estamos divididos. Até a energia do mundo agora é meio nervosa. E eu sinto que Two Fux é o tipo de vibe que pode ajudar as pessoas a se sentirem autoconfiantes, mas também fazer com elas relaxem um pouco e sorriam, porque não estão levando a coisa tão a sério. Era a energia que eu queria compartilhar.

Quando nós vamos ouvir novas músicas solo suas e elas serão parecidas com Two Fux?

Há mais músicas lista, vamos colocar dessa forma… Com certeza haverão mais músicas esse ano… Estou muito animado. O projeto como todo está tendendo de volta para as minhas raízes glam-rock um pouco mais. É tipo a minha parte no rock moderno. As coisas que eu mais amo sobre os meus rockstars preferidos, pessoas como Freddie Mercuy e Prince e George Michael – sonoramente eles me inspiram e o seus espiritos também me inspiram. Eles estavam pouco se fod****. Eles fizeram exatamente o que queriam. Eles eram bem individuais, e eles não pediam desculpas por isso. Estou me identificando com isso agora. Então essa é minha inspiração por trás do projeto: alguns dos meus heróis, porque eles eram meus heróis e como eles eram meus heróis.

Nós perdemos muitos rockstars ultimamente. Nós precisamos de novos.

Eu lembro de pensar comigo mesmo quando as tristes notícias de que o Prince se foi e depois que o George se foi chegaram, e não muito antes disso o Michael Jackson também tinha ido: “Uau, esses caras realmente eram quem eram”. Eles não se vestiam como outra pessoa. Eles não seguiam moda. Eles não se editavam em benefício de outras pessoas. Eles eram muito corajosos para serem estranhos, para serem aliens. Eu sempre amei me expressar dessa forma, mas eu acho que no caminho desses nove anos, eu senti uma resistência a isso. Eu senti alguns membros da indústria musical meio “eh, eu não acho que isso vai funcionar. É meio esquisito. É comercial o suficiente?”. Eu ouvi esse tipo de coisa. Então eu acho que para mim, ver esses ícones do rock irem embora meio que me fez sentir: “Quer saber? Eu quero ajudar a continuar esse espírito”. O máximo que eu puder, quero dizer. Eu não estou de forma alguma no nível desses caras. Mas eu quero carregar essa vibe. Eu quero carregar a bandeira da rebelião.

No palco com o Queen, você dedica “Two Fux” para o Freddie Mercury. Ele inspirou essa música de alguma forma?

Eu quis dedicar essa para ele porque quando Freddie ia performar ao vivo, ele era tão livre. Ele fazia exatamente o que ele queria. Eu vi uma gravação de um show anos atrás de Montreal, que ele estava usando um shorts branco super curto e estava sem sapatos, e ele está só caminhando pelo palco – é hilário, na verdade. Como uma criança em seu quarto. É lindo de assistir as gravações do Freddie, porque ele era tão selvagem no palco. Esse é o espírito da música “Two Fux”.  Tipo, eu não me importo se você não gosta disso, eu gosto. Estou fazendo isso por mim.

Sua nova música cabe bem no set do Queen; quase parece uma música perdida do Queen. E a audiência tem sido bem receptiva.

Nós meio que percebemos no último minuto. Quando eu toquei isso para eles [Brian May e Roger Taylor], e eles disseram que gostaram, eu fiquei tipo, “ah, isso não é um salto estilístico de verdade, é?”.

A sua ocupação com o Queen também afetou a sua decisão de ir para um estilo mais glam-rock?

Bem, eu sei que de fazer turnê com o Queen, eu achei minha batida naquele som de rock clássico, e achei uma audiência nesse mundo, então definitivamente isso é parte do meu pensamento para o estilo desse [novo álbum]. Mas sabe, eu acho que as pessoas realmente acabam se prendendo em gênero – e eu claramente nunca me prendi. Eu gosto de jogar um monte de influencias diferentes em uma música. Eu gosto muito de diferentes tipos de música. E eu acho que você tem que ter muitas cores diferentes para montar um bom show. Eu quero recuperar o que eu amo sobre a música, e a razão do porque eu entrei na música em primeiro lugar. A força que me rege.

Eu não acho que você ligue, mas você não se preocupa que o título dessa música possa impedir que ela seja tocada na rádio ou MTV?

Eu estou pouco me fod****. (Risos) Serviços de stream não são censurados. Isso é tudo que eu tenho a dizer.

 

Fonte: Yahoo! Music.

Tradução por: Fernanda Cardoso, Equipe GBR