Quando Adam Lambert era um jovem ator de teatro com uma fixação pelo rock & roll que só crescia, havia um cantor extravagante que refletia seus interesses pelos gêneros tanto masculino quanto feminino, pelo o ousado e irônico: o falecido líder do Queen, Freddie Mercury.

“O que eu sempre gostei sobre o Queen foi que eu pude ver o que Freddie e a banda estavam explorando, e eu podia me identificar com aquilo”, diz Lambert, o finalista do American Idol e hitmaker solo, que também faz turnês com o Queen + Adam Lambert. “Eu comecei a me apaixonar pelo rock & roll, eu me vesti como um garoto de clube e saí à noite, usava umas coisas estranhas, eu sou gay – todas essas coisas juntas. Quando eu olho para a história do rock & roll , Queen é a banda que mais ressoou pra mim: ‘Esse sou eu, essa é a minha vida’ “.

Isso se torna ainda mais verdadeiro desde desde a sua final na 8ª temporada do Idol, onde se encontrou e atuou pela primeira vez com os membros restantes do Queen, o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor. (O baixista original John Deacon se aposentou em 1997). Lambert já fez turnês regulares com o rock britânico desde 2012, e neste verão, Queen + Adam Lambert se apresentará em uma turnê norte-americana de 25 cidades, que terá início em 23 de junho em Phoenix, no Arizona, tocando grandes sucessos da banda dos anos 70 e 80 , de “Killer Queen” à “Under Pressure”. Com figurinos brilhantes e penteados super elaborados, Lambert tem sido uma parte importante do período mais ativo do Queen como um só, realizando turnês, desde a morte de Mercury em 1991.

“Observe a tirada de Freddie: ele tinha a coragem necessária para fazer tanta besteira no palco e dizer exatamente o que ele queria dizer e usar o que ele queria usar”, Lambert, 35, diz a Rolling Stone, vestido com uma jaqueta azul de couro crayola de estilo motociclista, suas unhas pintadas de preto.

"No começo, fiquei bastante intimidado", diz Lambert sobre se apresentar com o Queen.

“No começo, fiquei bastante intimidado”, diz Lambert sobre se apresentar com o Queen.

O cantor está em uma suíte de hotel em Los Angeles para conversar sobre a turnê, sentado entre os dois mais velhos estadistas do rock: Taylor com uma barba branca e terno de risca-de-giz, e May sorrindo com os cachos cinza até os ombros.

“Adam cumpre um grande papel”, diz May.
“Eu sempre me senti honrado e sempre tive percepção do peso e do legado da banda”, diz Lambert. “No começo, fiquei muito intimidado com isso. Tentei não demonstrar.”
“Posso dar conta de tudo isso? Vou ser capaz de fazer justiça, o público vai me aceitar, a banda vai me aceitar, eu vou ser uma dor de cabeça?” Ele sorri. “Eu aprendi a usar a sutileza um pouco mais.”

As escolhas de música na turnê irão se basear fortemente nos muitos hits da banda, mas também deixam margem para elementos mais profundos conhecidos pelos fãs regulares. May faz menção de que a turnê acontecerá durante o 40° aniversário do álbum multi-platina ‘News of the World’ de 1977, que incluiu o hino de duas partes “We Will Rock You” / “We Are the Champions”.

“Os verdadeiros fãs, claro, conhecem nossas coisas”, diz May. “O público em geral conhece os hits, então você tem que tomar cuidado com isso, mas podemos mandar algumas coisas que as pessoas realmente não esperam, e nós iremos fazer um pouco mais desta vez”.
Taylor acrescenta: “Só para manter nosso próprio interesse, estaremos fazendo coisas que não fizemos antes ou não fazemos há muito tempo… Começamos como uma banda de álbuns – é isso que éramos. O fato de que tivemos hits foi apenas “proposital”. Era um subproduto.”

Em 2017, Queen + Adam Lambert planejam lançar uma produção de palco digital de última geração, que moderniza o show e abre novas possibilidades para uma experiência imersiva no rock que é tocado em arenas.

“As pessoas ficarão chocadas, não parece tradicional”, diz May. “No entanto, vamos ser capazes de usá-lo para recriar alguns momentos do passado em alguns aspectos, o que vai ser fascinante.”

Ao mesmo tempo, a banda não estará presa a cenário computadorizado, com coreografias, com faixas rápidas para manter o Queen dentro de um ritmo rígido. A banda terá a opção de se expandir à sua vontade sonora, continuando uma tradição que deixa até mesmo o público que está indo novamente aos shows adivinhando.

“Freddie costumava odiar isso,” diz May rindo.
“Eles queriam advinhar o que ele ia dizer: “Fuckers! Assistam ao show que eu vou lhes dar!”

Por cinco anos, May e Taylor continuaram se apresentando como Queen com o cantor Paul Rodgers, aclamado por seu trabalho em ‘Free and Bad Company’. Conhecido como Queen + Paul Rodgers, eles fizeram uma turnê pelo mundo e gravaram um álbum de estúdio, ‘The Cosmos Rocks’, de 2008. Taylor chama Rogers de “um dos nossos cantores favoritos”, mas ele não era um encaixe perfeito “porque ele é um cantor de blues – um dos melhores do mundo”.
Quando essa colaboração terminou, os músicos do Queen não tinham certeza se haveria um futuro para a banda.

“Lembro-me de viajar por cidades, olhar para arenas e pensar : ‘Oh, costumávamos fazer isso'”, May relembra no momento. ” ‘Nós não vamos fazer mais isso.’ “.

Em 2009, May começou a ouvir sobre um jovem cantor de San Diego, na Califórnia, no American Idol, que fez uma audição cantando um cover de umas das canções épicas do Queen, “Bohemian Rhapsody”.

May lembra: “De repente, do nada, aparece esse cara no American Idol – todo mundo me telefona: ‘Você tem que ver esse cara, ele é brilhante, ele tem que ser seu cantor’. Não havia como escapar do fato de que Adam era perfeito.”

Queen apareceu no final da temporada do Idol, com Lambert e outros cantando “We Will Rock You”/”We Are the Champions”.

Em 2012, Queen + Adam Lambert fez sua estreia como uma unidade totalmente formada atuando para os milhares que encheram a praça da cidade de Kiev, Ucrânia (dividindo o palco com Elton John).

“Adam foi realmente jogado aos lobos”, diz Taylor sobre aquele primeiro show completo, que veio depois de apenas nove dias de ensaios. – Foi um batismo de fogo.

Lambert assistiu aos vídeos das gravações de seus primeiros shows com o Queen, estudando os bons e os maus momentos.

“Eu executei algumas notas ruins cara”, diz ele. “Agora são seis ou sete anos trabalhando juntos – eu me sinto cada vez mais confortável, o que permite mais e mais liberdade. E eu amadureci um pouco durante esse tempo que nos conhecemos.”

Enquanto a colaboração continua, não há nenhum plano de levar Queen + Adam Lambert para o estúdio de gravação, onde a banda original prosperou por tantos anos. Taylor insiste que o assunto surge principalmente nas entrevistas, e que nunca o discutiram. Uma das razões foi a recepção morna para o álbum com Rodgers.

“Um pouco da hesitação minha e do Roger é porque nós passamos uma grande parte de nossas vidas fazendo isso com Paul Rodgers – havia um material bom e nós trabalhamos arduamente duro por meses à fio”, diz May.
“Ele é ótimo, não há dúvida sobre isso, mas ninguém se importou, apenas desapareceu. Nós meio que entendemos a mensagem, por bem ou por mal, de que as pessoas só queriam ouvir o Queen com o Freddie nos vocais. O indício é totalmente contrário no que diz respeito ao ‘ao vivo’ – eles amam o que estamos fazendo agora, não há dúvida, então gravitamos para o material ao vivo.”

May e Taylor estão satisfeitos com o seu histórico de gravações, e Lambert mantém uma carreira solo inteiramente separada, com três álbuns de estúdio que tiveram posições elevadas nos charts (incluindo o número um do chart do EUA de 2012, Trespassing) lançados sob seu nome até agora. Há apenas alguns dias atrás, ele começou a trabalhar em um novo projeto. E os fãs de Lambert vêm para os shows do Queen.

“Há uma quantidade razoável”, diz ele. “Acho que a maioria do público é o público do Queen, mas eu definitivamente vi alguns Glamberts por aí.”
May observa que Lambert e seus fãs mais devotados compartilham certa sensibilidade de moda extravagante. “Eles têm tiaras brilhantes”, diz May, “para que você possa vê-los.”

 

Fonte: Rolling Stone
Tradução: Equipe Glamily Brasil (Clara Almeida)
Não retire sem os devidos créditos.